Vereador Zander Fábio é preso em operação que investiga suposto esquema milionário na Cultura de Goiânia

Uma operação da Polícia Civil de Goiás deflagrada na manhã desta terça-feira (26) colocou no centro das investigações um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. Entre os alvos está o ex-secretário da pasta e atual vereador por Goiânia, Zander Fábio (Podemos), preso enquanto participava de uma missa na Igreja Matriz de Campinas.

Além do parlamentar, também foram detidos Elton da Silva Nogueira e Jean de Jesus Magno Lima e Silva, apontados como diretor e presidente de um clube da capital. Segundo a investigação, os suspeitos são investigados por crimes como associação criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria participado de um esquema que desviou cerca de R$ 1,5 milhão por meio de contratos e serviços ligados a eventos culturais realizados em 2024, muitos deles sem processo licitatório.

A ofensiva policial também incluiu o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Um dos endereços alvo da operação foi o escritório do ex-vereador Leandro Sena, localizado no setor Novo Horizonte, na capital. Até o momento, contudo, não foram divulgadas acusações formais contra o ex-parlamentar, nem detalhes sobre eventuais materiais apreendidos.

A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e determinou medidas cautelares que impedem os envolvidos de firmarem contratos com o poder público enquanto as investigações seguem em andamento.

Investigação aponta suposto direcionamento de recursos

Conforme as apurações, a Polícia Civil identificou indícios de uma estrutura organizada envolvendo agentes públicos e particulares para direcionar verbas destinadas à promoção de eventos culturais e exposições de veículos antigos durante a administração municipal anterior.

As investigações apontam que aproximadamente R$ 1,5 milhão foram movimentados em 41 operações financeiras ao longo de 2024. Segundo os investigadores, empresas beneficiadas pelos contratos não possuíam capacidade operacional compatível com os serviços contratados e teriam ligação direta com os responsáveis pela organização dos eventos.

A suspeita é de que parte dos valores retornasse aos integrantes do esquema por meio de pagamentos indiretos e despesas pessoais, configurando possível lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

A defesa dos investigados foi procurada, mas até a última atualização desta reportagem não havia se manifestado. A Polícia Civil informou que as diligências continuam e novas informações poderão ser divulgadas nas próximas horas.