Executiva estadual recebe representação por unanimidade e encaminha caso ao Conselho de Ética; prefeito de Anápolis reage e direciona críticas a Wilder Morais
A disputa eleitoral de 2026 começa a produzir efeitos dentro do próprio PL em Goiás. A Comissão Executiva Estadual do partido decidiu, por unanimidade, receber a representação ético-disciplinar apresentada contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), e encaminhar o caso imediatamente ao Conselho de Ética da legenda.
O procedimento foi aberto depois que Corrêa declarou apoio ao vice-governador Daniel Vilela (MDB) na disputa pelo Governo de Goiás, contrariando a candidatura própria lançada pelo PL, que tem o senador Wilder Morais como candidato ao Palácio das Esmeraldas.
A representação foi protocolada no dia 22 de agosto por um filiado do partido. De acordo com a nota oficial divulgada pelo PL-GO, a denúncia aponta manifestação pública de apoio de Márcio a uma candidatura de outra legenda. O documento cita dispositivos do Estatuto do PL, do Código de Ética e da Resolução Administrativa nº 004/2026 da Comissão Executiva Nacional.
A norma mencionada pelo partido estabelece restrições à manifestação pública de apoio, por parte de detentores de mandato eletivo pela legenda, a candidatos de outras agremiações ou que não façam parte de coligações firmadas pelo PL.
Processo ainda não representa punição
Apesar da abertura do procedimento, o PL-GO fez questão de ressaltar que a decisão tomada pela Executiva não significa condenação ou aplicação de qualquer penalidade contra o prefeito.
O advogado do partido em Goiás, Leonardo Batista, explicou que a reunião teve caráter exclusivamente de admissibilidade. Segundo ele, caberá agora ao Conselho de Ética conduzir a instrução do processo, assegurando a Márcio Corrêa o direito ao contraditório e à ampla defesa.
“A Executiva não julgou a conduta nem aplicou penalidade”, afirmou o advogado, segundo a nota oficial.
Ainda conforme o partido, o advogado constituído pelo prefeito acompanhou a sessão, teve acesso aos autos e recebeu uma cópia integral do processo ao final dos trabalhos.
A diferença é relevante: neste momento, o que existe é uma representação que foi considerada apta a tramitar internamente. Qualquer eventual sanção dependerá das próximas etapas do processo e da análise do Conselho de Ética.
Wilder lamenta crise e mira eleição de 2026
Presidente estadual do PL e adversário político de Daniel Vilela na corrida pelo Governo de Goiás, Wilder Morais afirmou que considera indesejável a necessidade de o partido dedicar esforços a uma disputa interna neste momento.
Em declaração divulgada pela própria legenda, o senador disse que a prioridade deveria estar concentrada nas eleições e em pautas relacionadas ao desenvolvimento do Estado.
“Temos duas missões prioritárias: fazer o estado de Goiás prosperar mais, fazendo a riqueza que o estado produz chegar à mesa de cada família goiana e eleger Flávio Bolsonaro presidente”, afirmou Wilder.
O dirigente também criticou a mistura entre questões municipais e a disputa estadual.
“Ter um processo político sendo instaurado nesse momento, trazendo a política municipal para a estadual, é uma infelicidade. O foco deve ser a melhoria de vida dos goianos e questões político partidárias internas não deveriam ocupar esse espaço”, declarou.
As manifestações de Wilder ocorrem em meio à tentativa do PL de organizar sua estrutura para a disputa estadual, enquanto a legenda trabalha com candidatura própria ao Governo de Goiás.
Márcio Corrêa reage e mira Wilder
Após a decisão da Executiva Estadual, Márcio Corrêa reagiu publicamente e elevou o tom das críticas ao comando estadual do partido.
O prefeito afirmou que um assessor ligado ao gabinete de Wilder Morais teria sido responsável por apresentar a representação contra ele. Corrêa questionou o critério adotado pelo partido e sustentou que, seguindo a mesma lógica, outras lideranças da legenda também deveriam ser submetidas a procedimentos internos.
Na reação, o prefeito também direcionou críticas ao próprio Wilder. Entre os episódios mencionados por Corrêa estão a posição do senador em uma votação relacionada à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o histórico de Wilder em relação ao processo de indicação de Alexandre de Moraes para a Corte.
As críticas ampliam o alcance da crise, que deixou de ser apenas uma discussão sobre fidelidade partidária e passou a envolver diretamente duas lideranças com posições distintas dentro da legenda em Goiás.
Apoio a Daniel Vilela expôs divergência
O ponto central do conflito é a decisão de Márcio Corrêa de declarar apoio a Daniel Vilela, nome do MDB para a sucessão estadual. O PL, por sua vez, já definiu Wilder Morais como seu candidato ao Governo de Goiás.
A representação apresentada contra o prefeito sustenta justamente que a manifestação pública teria contrariado as diretrizes partidárias nacionais. O próprio PL afirma que a fidelidade às decisões tomadas pela legenda é um compromisso assumido pelos filiados.
Segundo a nota, diante de uma conduta que o partido considera, em tese, contrária a uma diretriz nacional expressa, caberá à Executiva Estadual encaminhar o procedimento previsto nas normas internas.
Próximos passos ficam com Conselho de Ética
Com a decisão da Executiva Estadual, o caso passa agora para o Conselho de Ética do PL. Será nessa etapa que a representação deverá ser analisada de forma mais aprofundada, com a apresentação da defesa e a apuração dos fatos apontados pelo filiado.
Até o momento, portanto, não há decisão definitiva sobre eventual punição a Márcio Corrêa.
O episódio, contudo, expõe uma divergência política dentro do PL em um momento estratégico para a eleição de 2026. De um lado, a direção estadual busca preservar a candidatura própria de Wilder Morais ao Governo de Goiás; de outro, o prefeito de Anápolis decidiu publicamente apoiar um nome de fora da legenda.
A resolução do conflito deverá depender não apenas dos trâmites internos do partido, mas também da capacidade das lideranças envolvidas de administrar as divergências antes do avanço da campanha eleitoral.

