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Paralisação dos bancários fecha cerca de 110 unidades em Goiás; gestores cobram diálogo

Paralisação dos bancários fecha cerca de 110 unidades em Goiás; gestores cobram diálogo
Paralização na Sede da AGECEF/GO - 20/08/26. | Foto: Divulgação

A Redação

Presidente da AGECEF/GO, João Paulo Dourado, afirma que movimento desta quinta-feira (20) busca pressionar bancos por avanços nas negociações; cerca de 80% das unidades teriam aderido à mobilização no país

A paralisação nacional dos bancários realizada nesta quinta-feira (20) teve forte adesão em Goiás. Segundo o presidente da Associação dos Gestores da Caixa Econômica Federal em Goiás (AGECEF/GO), João Paulo Dourado, cerca de 110 unidades foram fechadas no estado durante a mobilização.

Em nível nacional, Dourado afirma que aproximadamente 80% das unidades aderiram ao movimento. A paralisação de 24 horas ocorre em meio à Campanha Nacional dos Bancários 2026 e aos impasses nas negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos.

Em entrevista, João Paulo Dourado afirmou que, no caso dos gestores da Caixa em Goiás, o objetivo da mobilização é principalmente chamar a atenção para a necessidade de diálogo “Depois de várias negociações com a Caixa Econômica, a gente não chegou a um acordo. O motivo da nossa paralisação é mostrar que a gente precisa ser ouvido, precisa sentar à mesa para conversar. A gente quer diálogo”, afirmou.

Segundo Dourado, o movimento também busca dar visibilidade à insatisfação acumulada entre os gestores. “É uma paralisação pacífica, para mostrar para a sociedade que nós, gestores, precisamos ser ouvidos”, disse. Gestores dizem que não querem prejudicar clientes Apesar do fechamento das unidades, o presidente da AGECEF/GO ressaltou que a intenção do movimento não é prejudicar os usuários dos serviços bancários.

A paralisação foi programada para durar apenas esta quinta-feira e, segundo ele, possui caráter de conscientização. “Nós não fizemos greve. A gente não quer interromper o serviço, o trabalho de ninguém ou os pagamentos. A gente só quer chamar a atenção da sociedade”, explicou.

Serviços digitais, internet banking e caixas eletrônicos seguiram como alternativas aos clientes durante a mobilização nacional.

Negociações salariais estão entre os impasses

A paralisação ocorre após uma sequência de negociações entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Na oitava rodada da Campanha Nacional Unificada, realizada na terça-feira (18), a Fenaban retirou uma proposta que previa reajustes diferenciados por faixas salariais e congelamento do piso de ingresso para novos bancários. Naquela rodada, porém, não foi apresentado um índice de reajuste para salários e demais verbas.

Esse é justamente um dos pontos destacados por João Paulo Dourado. “Não foi apresentada uma proposta para a gente, de fato. Esse é o ponto”, afirmou. O presidente da AGECEF/GO também fez questão de diferenciar a discussão sobre um percentual específico de aumento salarial da cobrança feita pelos gestores. “Não é que a gente está pedindo aumento. Eu quero que eles apresentem uma proposta digna”, declarou.

Saúde Caixa preocupa gestores

Além das negociações econômicas gerais da categoria bancária, os empregados da Caixa enfrentam uma discussão específica envolvendo o Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos trabalhadores da instituição. Dourado afirma que possíveis mudanças no custeio estão entre as principais preocupações dos gestores. Entre os pontos discutidos nas negociações está uma proposta de alteração da contribuição dos titulares e dos valores pagos pelos dependentes. Representantes dos trabalhadores têm criticado o impacto que as mudanças poderiam provocar na renda dos empregados. “Não é só falar que vai aumentar por causa dos déficits que estão acontecendo. É propor, de fato, alguma coisa que realmente faça sentido. O plano de saúde tem que ser mais transparente”, afirmou Dourado.

Para ele, a falta de uma solução ganha ainda mais peso diante da proximidade do fim do atual acordo. “Nós tivemos todo o tempo de negociação e não teve nada de concreto”, disse.

AGECEF/GO diz representar gestores de diferentes áreas

João Paulo Dourado afirma que a mobilização reúne profissionais de diferentes funções de gestão da Caixa em Goiás. Segundo ele, estão incluídos gerentes-gerais, gerentes de carteira, gerentes de relacionamento e outros gestores que trabalham diretamente nas unidades. “Essa é uma demanda geral. Estou aqui em nome de todos os gerentes, todos os gestores em nível de Goiás que estão sentindo na ponta o impacto do que está acontecendo”, afirmou.

Dourado destacou ainda o papel dos empregados da Caixa na execução de políticas públicas e no atendimento diário à população. “Nós estamos na ponta, os gestores estão todos os dias atendendo. Estamos fazendo as políticas públicas, estamos atendendo, estamos fazendo acontecer.”

E se não houver acordo?

Apesar da forte adesão registrada nesta quinta-feira, a AGECEF/GO não fala, neste momento, em convocar uma greve por tempo indeterminado. Dourado explicou que uma decisão dessa natureza não cabe à associação e dependeria da atuação das entidades sindicais e da deliberação dos trabalhadores em assembleia. “Essa questão de greve a gente precisa conversar com o Sindicato dos Bancários, levar nossas dores para o sindicato, para que seja proposto isso em assembleias. A nossa associação não tem esse poder. A gente está manifestando a nossa indignação”, explicou.

Segundo ele, a AGECEF/GO pretende manter aberto o diálogo com as entidades que representam os trabalhadores e acompanhar os próximos passos das negociações.

Paralisação ocorreu em todo o Brasil

O movimento registrado em Goiás integra uma paralisação nacional de 24 horas realizada nesta quinta-feira. A mobilização ocorre após assembleias da categoria realizadas em diferentes regiões do país rejeitarem a proposta apresentada pela Fenaban. Entre as reivindicações nacionais estão aumento real dos salários, valorização dos pisos, melhorias nos vales alimentação e refeição e avanços na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Na rodada de negociação realizada na terça-feira (18), a Fenaban recuou da proposta de reajustes por faixas salariais e do congelamento do piso de ingresso, mas não apresentou um índice de reajuste para salários e demais verbas. A Febraban informou que acompanha a mobilização e que as negociações seguem o cronograma previsto, manifestando expectativa de que seja alcançado um entendimento entre as partes.

Ao final da entrevista exclusiva, João Paulo Dourado foi questionado sobre qual mensagem daria se estivesse frente a frente com a direção da Caixa e os representantes dos bancos. O presidente da AGECEF/GO resumiu a posição que pretende levar às próximas discussões: “Que realmente olhassem para as pessoas. Olhem para as pessoas.”

Para Dourado, mais do que uma discussão exclusivamente financeira, o movimento pretende fazer com que os trabalhadores sejam ouvidos durante o processo de negociação. “Meu papel é apoiar e ser a voz desses funcionários da Caixa e dos outros bancos. Estou querendo construir uma sociedade melhor”, concluiu.