Mabel apresenta R$ 663,3 milhões em investimentos à Câmara; relatório também mostra despesas crescendo acima das receitas e Educação ainda abaixo do mínimo anual
A Prefeitura de Goiânia informou ter realizado R$ 663,3 milhões em investimentos entre janeiro e agosto de 2026, valor superior aos R$ 501,1 milhões registrados em todo o ano de 2025. Os números foram apresentados pelo prefeito Sandro Mabel na segunda-feira (26), durante prestação de contas na Câmara Municipal. Segundo o balanço do Executivo, o montante aplicado nos oito primeiros meses deste ano supera em 32,37% o total do exercício anterior e representa mais de quatro vezes o investimento realizado no mesmo intervalo de 2025.
Na apresentação, Mabel projetou encerrar 2026 com aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos e anunciou a intenção de destinar R$ 500 milhões à Saúde nos próximos dois anos. O prefeito também afirmou que o volume investido até agosto ultrapassa a soma dos valores registrados em 2023 e 2024. As estimativas para os próximos meses e anos, contudo, correspondem a anúncios da gestão e dependem da execução orçamentária.
O avanço dos investimentos ocorre em um cenário de aumento da arrecadação. A Receita Corrente Líquida (RCL) alcançou R$ 9,37 bilhões no acumulado de 12 meses, crescimento de 8,59% em relação ao segundo quadrimestre de 2025 e de 3,76% sobre o primeiro quadrimestre de 2026. Conforme o relatório, foi o quinto quadrimestre consecutivo de expansão do indicador, utilizado como referência para calcular limites fiscais, como os gastos com pessoal.
Apesar do crescimento das receitas, as despesas avançaram em ritmo mais acelerado. Entre janeiro e agosto, a receita realizada somou R$ 7,27 bilhões, enquanto a despesa liquidada chegou a R$ 6,88 bilhões. A diferença informada foi de R$ 389 milhões, abaixo dos R$ 742,9 milhões registrados no mesmo período de 2025. Na comparação anual, a receita aumentou 9,4% e a despesa liquidada, 16,6%. Essa diferença entre arrecadação e despesas não equivale, isoladamente, a dinheiro disponível em caixa.
Outro indicador apresentado foi o resultado primário positivo de R$ 137,9 milhões. Segundo a Prefeitura, o saldo ficou R$ 5,2 milhões acima da meta de R$ 132,7 milhões estabelecida para 2026 na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O indicador compara receitas e despesas primárias, excluindo componentes financeiros, como os juros da dívida. O secretário municipal da Fazenda, Oldair Marinho, atribuiu a ampliação dos investimentos à reestruturação fiscal promovida pela administração e afirmou que a classificação de capacidade de pagamento do município passou de C para A.
As despesas com pessoal do Executivo corresponderam a 45,58% da Receita Corrente Líquida ao final do segundo quadrimestre, redução de 0,70 ponto percentual em relação ao período anterior. O percentual permaneceu abaixo do limite de alerta de 48,6% e do teto de 54% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. De acordo com o balanço, trata-se do menor índice da série apresentada pela gestão.
Na Saúde, a aplicação de recursos atingiu 18,57% da base de impostos e transferências considerada para o cálculo, ficando 3,57 pontos percentuais acima do mínimo constitucional de 15%. Mabel citou a expansão da rede de atendimento entre as prioridades da administração, com previsão de 32 Unidades Básicas de Saúde e oito Unidades de Pronto Atendimento. Na Educação, o percentual informado foi de 21,88%, ainda abaixo da referência constitucional de 25%. Como a verificação do mínimo é anual, o resultado parcial de agosto não determina o cumprimento ou descumprimento da obrigação ao fim do exercício.
A Prefeitura destacou que, em 2025, a aplicação em Educação também estava abaixo de 25% no segundo quadrimestre, mas encerrou o ano em 25,83%. Para 2026, a confirmação do atendimento ao mínimo e do volume total de investimentos dependerá do fechamento das contas de dezembro. A apresentação à Câmara permite acompanhar esses indicadores, mas não representa, por si só, a aprovação definitiva das contas municipais.

