A Redação
Desistências atingem candidaturas para deputado estadual e federal; enquanto isso, Justiça Eleitoral ainda precisa analisar a maior parte dos registros
A disputa eleitoral de 2026 em Goiás ainda está longe de ter seus contornos definitivos, mas o tabuleiro já começa a mudar. Nove candidatos que haviam solicitado registro para concorrer nas eleições deste ano desistiram oficialmente da corrida, segundo dados disponíveis no sistema da Justiça Eleitoral.
As renúncias alcançam tanto a disputa pela Assembleia Legislativa quanto a Câmara dos Deputados. Dos nove nomes que deixaram o processo, cinco buscavam uma cadeira de deputado estadual e quatro pretendiam chegar à Câmara Federal. A desistência, nesse caso, não decorre de uma decisão da Justiça. É uma escolha do próprio candidato, formalizada dentro do processo de registro.
Quem saiu da disputa
Na corrida por uma vaga de deputado estadual, deixaram a eleição:
- Ana Paula da 44 — Ana Paula Barbosa de Oliveira (PL);
- Terapeuta Ariel Luz — Ariel Luz Mota Portela Rodrigues (Federação Brasil da Esperança – PT/PCdoB/PV);
- Agenor Curado — Agenor de Castro Curado (Novo);
- Lisieux — Lisieux José Borges (Federação PSDB/Cidadania);
- Raimundo da Casa da Saúde — Raimundo Nonato da Rocha e Sousa (PSD).
Para deputado federal, os registros de renúncia são de:
- Felisberto Tavares — Felisberto Rodrigues Tavares (Federação União Progressista – União/PP);
- Nicolina Tia Nicola — Nicolina Maria da Costa Pereira (MDB);
- Cabo Lorrane — Jenifer Lorrane Ribeiro Mendes (Federação Renovação Solidária – PRD/Solidariedade);
- Pedro Sales — Pedro Henrique Ramos Sales (PSD).
A saída dos candidatos, no entanto, não significa que a composição eleitoral de Goiás esteja fechada. Pelo contrário: o processo ainda passa por uma etapa decisiva de análise dos registros.
Quase 800 candidaturas ainda esperam decisão
Dos 894 pedidos de registro apresentados em Goiás, apenas 92 haviam sido deferidos no levantamento citado. Outros 793 permaneciam aguardando julgamento, enquanto nove apareciam oficialmente como renunciados. Na prática, isso significa que o cenário ainda pode sofrer novas alterações. A Justiça Eleitoral precisa verificar se cada candidato atende às exigências previstas na legislação e se está apto a participar da eleição.
O registro de candidatura possui natureza judicial. Depois do protocolo, partidos, candidatos adversários e o Ministério Público Eleitoral podem apresentar manifestações. Encerradas essas etapas, o processo segue para julgamento.
Segundo informações, não existe necessariamente um prazo individual que obrigue a Justiça Eleitoral a julgar cada registro em uma data específica. Embora a expectativa seja de que a maioria dos processos seja solucionada antes da votação, alguns casos podem permanecer em discussão durante o período eleitoral. Um ponto importante para compreender o atual cenário é não confundir renúncia com candidatura inapta.
Quando um candidato renuncia, a iniciativa parte dele próprio. É uma decisão formal de abandonar a eleição, independentemente de haver ou não algum problema com seu registro. A situação de inaptidão, por outro lado, pode decorrer de diferentes impedimentos legais. Entre eles estão eventuais problemas relacionados à quitação eleitoral, como pendências em prestação de contas ou irregularidades envolvendo o título de eleitor.
Assim, aparecer como “renunciado” no sistema eleitoral não significa que o candidato tenha sido barrado pela Justiça. Apesar de chamarem atenção, às nove renúncias não são consideradas, isoladamente, um número fora da normalidade para esta fase do processo eleitoral. Segundo fontes, esta quantidade está dentro do que pode ser esperado considerando o número de candidaturas registradas e o estágio de análise dos processos.
O dado ganha outra dimensão quando colocado diante do tamanho da disputa proporcional em Goiás. São 590 candidatos registrados para deputado estadual, concorrendo a 41 cadeiras, e 259 candidatos a deputado federal, para 17 vagas.
Isso representa uma disputa média de aproximadamente 14 candidatos por vaga na Assembleia e 15 candidatos por cadeira na Câmara dos Deputados. Além das eleições proporcionais, Goiás tem, até o momento, seis candidatos ao Governo do Estado e 11 nomes na disputa pelo Senado. Em 2026, os eleitores goianos escolherão dois senadores.
O cenário ainda está em construção
As nove renúncias são, portanto, apenas uma das primeiras movimentações de uma eleição que ainda passa por ajustes jurídicos e políticos. Com centenas de registros pendentes de julgamento, a lista definitiva de candidatos ainda pode mudar. Até que a Justiça Eleitoral conclua a análise dos processos, novas desistências, deferimentos, indeferimentos e recursos poderão alterar o desenho das chapas. Mais do que uma lista de nomes que deixaram a disputa, o movimento revela uma característica própria do início do processo eleitoral: antes de a campanha ganhar as ruas, a própria Justiça Eleitoral ajuda a definir quem estará, de fato, na linha de largada.

