A anunciada fusão entre PSDB e Podemos promete reorganizar as peças no tabuleiro político nacional, mas, em Goiás, a jogada ainda parece indefinida. De um lado, o PSDB — conhecido opositor do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Do outro, o Podemos de Glaustin da Fokus, Henrique César e Eurípedes do Carmo — bem acomodado na base do governo.
O casamento político entre as duas siglas levanta uma pergunta inevitável: quem muda de lado? O Podemos, tradicional representante da centro-direita, vai abraçar a oposição tucana, de inclinação mais centrista, para não dizer centro-esquerda? Ou será o PSDB, sob nova direção, que decide se aconchegar nos braços do governo estadual?
A contradição é evidente. Marconi Perillo, nome forte do PSDB goiano, alimenta discretamente a expectativa de voltar ao Palácio das Esmeraldas. Mas como manter essa pretensão se o novo partido, resultado da fusão, decidir seguir fiel à base de Caiado?
Mais curioso ainda: o Podemos, agora sócio dos tucanos, vai sustentar a candidatura de um nome historicamente rival do atual governador? Ou Perillo abriria mão de um novo embate direto, em nome da convivência harmônica com aliados recentes?
Fato é que a fusão impõe escolhas. Se o PSDB migrar para a base, Marconi pode ter que rever seus planos. Se o Podemos seguir o PSDB rumo à oposição, perderá espaço no governo Caiado. E em ambos os cenários, alguém terá de engolir sapos — ou tucanos.
