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Vanderlan sobe o tom e defende afastamento de Moraes e Gonet durante investigação da PF

Vanderlan sobe o tom e defende afastamento de Moraes e Gonet durante investigação da PF
Foto: Divulgação

Senador e candidato à reeleição cobra apuração rigorosa do caso envolvendo o Banco Master, diz que Senado não pode continuar “paralisado” e anuncia intenção de disputar presidência da Casa

O senador Vanderlan Cardoso (PSD) elevou o tom no debate político nacional e defendeu o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, enquanto estiver em curso a investigação conduzida pela Polícia Federal envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o caso Banco Master.

Candidato à reeleição, Vanderlan afirmou que a dimensão das recentes revelações exige uma apuração independente e rigorosa, sem interferências ou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. A declaração foi feita nesta quinta-feira (3), durante entrevistas concedidas à BandNews Goiânia e à PUC TV Goiás. “Não tem mais como contornar essa situação. Se eu fosse o ministro e o PGR, pediria afastamento até que essa investigação seja concluída. O restinho de credibilidade do Supremo está indo embora com todas essas ações da PF”, declarou.

A posição coloca Vanderlan entre os parlamentares que passaram a defender uma reação mais incisiva do Senado diante das denúncias e investigações que envolvem autoridades de outras instituições da República.

“O Brasil precisa saber o que aconteceu”

Ao comentar o avanço das investigações, o senador afirmou que o caso precisa ser esclarecido em sua totalidade. Para Vanderlan, as informações que vieram a público até agora indicam que novas revelações ainda podem surgir. “É um escândalo que precisa ser apurado com muito rigor. Agora começou a aparecer muita coisa e acredito que ainda vai aparecer mais. O ministro André Mendonça está certo em defender que tudo seja esclarecido. O Brasil precisa saber o que de fato aconteceu”, afirmou.

A defesa de uma investigação ampla ocorre em um momento de forte tensão política em Brasília e amplia o discurso de Vanderlan em favor de maior atuação do Congresso Nacional na fiscalização e no debate sobre temas considerados sensíveis para o país.

Vanderlan quer disputar presidência do Senado

Durante as entrevistas, Vanderlan também revelou que pretende disputar a presidência do Senado caso seja reconduzido ao mandato nas eleições. O senador afirmou que, à frente da Casa, pretende enfrentar assuntos que, em sua avaliação, permanecem sem encaminhamento político. Entre eles estão pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, as investigações relacionadas ao Banco Master e questões envolvendo o prejuízo no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Quero fazer história. Se eleito presidente, vou destravar todas as pautas polêmicas, como impeachment de ministro, o caso Master e o rombo do INSS. Está tudo parado na Casa e vou dar andamento”, afirmou.

A declaração representa uma das posições políticas mais contundentes adotadas por Vanderlan durante a atual campanha eleitoral. Ao colocar a presidência do Senado como um objetivo político, o parlamentar sinaliza que pretende ocupar posição de maior protagonismo no cenário nacional caso conquiste um novo mandato.

Senado precisa exercer suas prerrogativas

Vanderlan lembrou que assinou pedidos de impeachment contra ministros do STF, mas afirmou que os requerimentos não avançaram porque não foram colocados em pauta pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Para o senador goiano, cabe à Casa exercer plenamente suas atribuições constitucionais e permitir que os parlamentares discutam e deliberem sobre os pedidos apresentados. “O Senado precisa discutir e decidir”, declarou.

A crítica reforça uma das principais bandeiras defendidas por Vanderlan no debate institucional: a necessidade de maior protagonismo do Legislativo e de preservação do equilíbrio entre os Poderes. Embora reconheça que a análise dos processos segue procedimentos regimentais e constitucionais, o senador defende que a Presidência do Senado não deve impedir indefinidamente a discussão de matérias que contam com respaldo entre parlamentares.

Municipalismo além das emendas

Além dos temas nacionais, Vanderlan utilizou as entrevistas para destacar uma das marcas que procura consolidar em sua trajetória política: a defesa dos municípios. Ex-prefeito de Senador Canedo, ele afirmou que sua visão municipalista não se limita à destinação de emendas parlamentares. Segundo o senador, a experiência à frente de uma prefeitura contribuiu para que seu mandato mantivesse atenção constante às dificuldades enfrentadas pelas administrações locais. “Não é só mandar recurso. Municipalismo é participar de uma reconstrução nacional, defender o pacto federativo e melhorar a distribuição dos recursos. Todas as relatorias que assumi, os projetos que apresentei e as decisões que tomei tiveram essa preocupação com o país, com os municípios e, principalmente, com o cidadão”, afirmou.

Como exemplo, Vanderlan citou sua atuação como relator do Projeto de Lei Complementar 51/2021, que prevê tratamento diferenciado na contribuição previdenciária patronal para pequenos municípios.

A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana e representa, segundo o senador, uma medida voltada a aliviar dificuldades financeiras enfrentadas por prefeituras de menor porte. “Já fui prefeito e conheço as dificuldades dos municípios. Sei o que representa quando chega uma máquina, quando conseguimos recursos para uma obra de infraestrutura, para o custeio da saúde ou para investimentos em educação. Nosso trabalho é conhecer essas demandas e defender os municípios”, disse.

Fim da escala 6×1 e modernização da CLT

Outro tema abordado por Vanderlan foi a proposta de mudança na jornada de trabalho conhecida como escala 6×1.

O senador reafirmou ser favorável ao fim do atual modelo, mas defendeu que a discussão seja ampliada para incluir uma modernização mais profunda das relações trabalhistas e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Já vinha defendendo o fim da escala 6×1, mas aproveitei a oportunidade para discutirmos também a modernização da CLT. Precisamos dar opções ao trabalhador e ao empregador. Quem quiser trabalhar pela CLT continua pela CLT. Quem preferir trabalhar por hora poderá ter essa opção, com seus direitos garantidos”, explicou.

Vanderlan afirmou ainda ter apresentado uma emenda para criar mecanismos de compensação destinados a empresas que comprovarem aumento nos custos provocado por eventuais mudanças na jornada de trabalho. Para o senador, o debate não deve se encerrar com o período eleitoral e tende a ganhar espaço no Congresso Nacional nos próximos anos.

Discurso combina atuação em Goiás e protagonismo nacional

Ao reunir, em uma mesma agenda de entrevistas, temas como a crise institucional envolvendo o STF, a investigação da Polícia Federal, a presidência do Senado, o municipalismo e as relações de trabalho, Vanderlan procura ampliar o alcance de seu discurso político na reta da campanha.

A estratégia é apresentar sua candidatura não apenas a partir dos recursos destinados aos municípios goianos, uma das principais vitrines de seu mandato, mas também como um nome disposto a participar diretamente dos grandes debates nacionais.

Com a defesa do afastamento de autoridades durante as investigações e a promessa de “destravar” pautas sensíveis caso alcance a presidência do Senado, Vanderlan Cardoso assume uma posição mais firme no cenário político e busca associar sua campanha à defesa de mudanças na condução das principais discussões do Congresso Nacional.

A aposta do senador é transformar a experiência acumulada no municipalismo e nos trabalhos legislativos em argumento para conquistar um novo mandato e, posteriormente, disputar espaço de protagonismo na política brasileira.