Rússia avisa que chegada de F-16s à Ucrânia será provocação da OTAN

A Rússia avisou nesta segunda-feira (6) que a chegada
antecipada de caças F-16 à Ucrânia será vista como uma provocação dos Estados
Unidos e da OTAN, independentemente de serem ou não capazes de transportar
armas nucleares.

“Independentemente de qual modificação da aeronave for
fornecida, nós a veremos como portadora de armas nucleares e consideraremos
essa medida de EUA e OTAN como uma provocação deliberada”, disse o comunicado
do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Moscou ressaltou que há muitos anos essas aeronaves têm sido
usadas nas chamadas “missões nucleares conjuntas” da OTAN.

“Espera-se que as aeronaves multiuso F-16 fabricadas nos EUA
surjam em breve no teatro de operações ucraniano (…), não podemos ignorar o
fato de que essas aeronaves pertencem às plataformas de equipamento duplo:
nuclear e não nuclear”, acrescentou a chancelaria russa.

A Ucrânia tem insistido há semanas na necessidade de
acelerar o fornecimento dessas aeronaves em face do contínuo bombardeio inimigo
à infraestrutura civil e às posições de seu Exército.

A coalizão de países ocidentais que se comprometeram há um ano a fornecer F-16s para a Ucrânia inclui Dinamarca, que pretende enviar os primeiros aviões nos próximos meses, Bélgica, Holanda e Noruega.

Moscou condenou os planos ocidentais de aumentar seu apoio
bélico a Kiev e seu suposto envolvimento nos combates na Ucrânia, criando novas
ameaças militares ao redor da Rússia.

Em particular, acusa o Ocidente de apoiar abertamente as
ações de sabotagem ucranianas em território russo, além de fornecer a Kiev
mísseis britânicos e franceses de longo alcance e o novo ATACMS dos EUA, que
pode atingir o território russo.

A Rússia também acusa os EUA de avançar com seus planos de
instalar mísseis de curto e médio alcance “em diferentes regiões do mundo” e
diz que, quando essas armas forem realmente instaladas, responderá suspendendo
sua própria moratória sobre essa instalação.

O país denuncia ainda as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre o possível envio de tropas da OTAN para a Ucrânia e destaca supostos relatos da presença no local de tropas da Legião Estrangeira Francesa.

O Ministério das Relações Exteriores russo acusa o bloco
ocidental de buscar “uma nova escalada da crise ucraniana em direção a um
confronto militar direto entre os países da OTAN e a Rússia”, a fim de infligir
“uma derrota estratégica” a Moscou.

Tudo isso, de acordo com Moscou, justifica a ordem do ditador russo, Vladimir Putin, para que as Forças Armadas realizem manobras com armas nucleares táticas “em um futuro próximo”.

Esses exercícios, dos quais participarão a Força Aérea e a Marinha, poderiam ocorrer em território ucraniano, já que o Distrito Militar do Sul inclui as quatro regiões ucranianas ocupadas (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia).

Fonte: www.gazetadopovo.com.br