Diretor do Federal Reserve (Fed) e conhecido por ser uma das vozes mais conservadoras do atual Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), Christopher Waller se mostrou contente com os dados de inflação e atividade dos Estados Unidos em abril, mas alertou que serão necessários “vários meses” de moderação dos preços antes que ele se sinta confortável para apoiar um corte de juros.
“Os dados mais recentes do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) foram um sinal tranquilizador de que a inflação não está acelerando e os dados sobre gastos e o mercado de trabalho sugerem que a política monetária está em uma configuração adequada para pressionar a inflação para baixo”, disse Waller em discurso divulgado há pouco. “A economia agora parece estar evoluindo mais perto do que o Comitê esperava. No entanto, na ausência de um enfraquecimento significativo no mercado de trabalho, preciso ver mais alguns meses de bons dados de inflação antes de me sentir confortável em apoiar uma flexibilização da política monetária”, ponderou o banqueiro central.
Em face dos indicadores de inflação, atividade e mercado de trabalho em abril, Waller afirmou que subir novamente os juros “provavelmente” não será necessário. De acordo com ele, o crescimento da economia deve moderar ao longo do ano à medida que os juros altos pressionam o consumo para baixo.
Sobre o mercado de trabalho, o dirigente considera que o crescimento dos salários dos trabalhadores americanos ainda está alto demais em relação ao nível consistente com a meta de inflação de 2%, “mas não tão alto”. “Assim como os dados sobre a atividade econômica, vejo os dados do mercado de trabalho apoiando um novo progresso na redução da inflação”, disse.
Waller ainda rejeitou a ideia de que o Fed está dependente demais dos indicadores, de forma a reagir exageradamente às novas leituras. Isso “não faz muito sentido para mim”, afirmou. Ele exemplifica sua opinião ao apontar que o Fomc manteve uma previsão consistente de três cortes de juros de 0,25 ponto percentual neste ano de março de 2023 a março de 2024 mesmo com diversos choques econômicos, como a minicrise bancária nos Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio.
“Isso não me parece ser um Fed ‘excessivamente dependente de dados’, argumentou Waller, apontando que as expectativas do mercado, ao contrário do Fomc, flutuaram de forma muito mais volátil ao longo do ano passado e o começo de 2024.
