Cerca de 13,6 milhões dos 17,7 milhões de habitantes do Equador foram chamados para votar em um referendo para endurecer as leis contra o crime organizado no domingo. A extradição de equatorianos, proibida pela Constituição, foi a ponta de lança do referendo e recebeu luz verde da população, de acordo com pesquisa de boca de urna.
Os equatorianos tiveram de responder “sim” ou “não” para 11 questões promovidas pelo presidente Daniel Noboa, que flerta com a reeleição em fevereiro próximo. Este referendo “definirá o rumo e a política de Estado que tomaremos para podermos enfrentar o desafio do combate à violência e ao crime organizado”, afirmou Noboa no início do dia.
O “sim” a favor da extradição recebeu 72% de apoio, enquanto o “não” teve 25% do total de votos. Noboa ainda incluiu questionamentos sobre a ampliação das funções dos militares no combate ao crime, o aumento das penas para crimes como o tráfico de drogas, a instalação de um sistema de tribunais especializados em questões constitucionais e a eliminação de benefícios prisionais para os condenados por crimes como o tráfico de drogas. Todas essas questões tiveram o apoio da maioria.
A oposição rejeitou principalmente o estabelecimento de um contrato de trabalho por hora e o reconhecimento da arbitragem internacional para resolução de disputas. A pergunta com mais apoio, próximo de 82%, foi aquela que propõe que as Forças Armadas apoiem a polícia de forma permanente em operações contra o crime organizado, sem a necessidade de decretar estados de exceção para esse fim.
Com uma popularidade de 69%, Noboa declarou guerra às organizações ligadas a cartéis no México e na Colômbia após um ataque violento em janeiro, com cerca de vinte mortes. Em seguida, decretou estado de conflito armado interno e ordenou que as Forças Armadas derrotassem vinte grupos considerados “terroristas” e “beligerantes”.

