Luiz do Carmo é escolhido vice de Daniel Vilela após disputa interna e consolida aliança com segmento evangélico

Decisão foi tomada em reunião entre Daniel Vilela e Ronaldo Caiado e encerra semanas de articulações. Ex-senador superou Adriano da Rocha Lima e José Mário Schreiner na disputa pela vaga de vice-governador

Por Weder Salgado – Jornalista e Comentarista Político

O governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), definiu o ex-senador Luiz do Carmo (PSD) como candidato a vice-governador na chapa governista para as eleições de 2026. A decisão foi sacramentada na noite de terça-feira (4), após uma reunião com o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), encerrando uma das principais disputas políticas dos bastidores da sucessão estadual. 

A escolha conclui a composição da chapa majoritária do grupo governista depois de semanas de negociações entre diferentes correntes políticas. Luiz do Carmo disputava a indicação com o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima, apontado nos bastidores como o favorito de Caiado, e com o ex-deputado federal José Mário Schreiner, liderança do agronegócio e ex-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). 

Por que Luiz do Carmo foi o escolhido?

Embora a definição tenha sido resultado de uma construção política coletiva, a indicação de Luiz do Carmo reúne fatores estratégicos que pesaram na decisão final.

O principal deles é a forte representatividade junto ao segmento evangélico. Irmão do bispo Oídes José do Carmo, presidente da Convenção Estadual da Assembleia de Deus Ministério Madureira em Goiás, Luiz do Carmo possui interlocução consolidada com lideranças religiosas em todo o Estado, segmento considerado decisivo na disputa eleitoral. Nos últimos dias, pastores e lideranças intensificaram a mobilização em defesa de sua indicação, aumentando a pressão sobre a cúpula governista. 

Outro fator considerado foi sua experiência política. Ex-deputado estadual e ex-senador da República, Luiz do Carmo agrega trajetória legislativa, relacionamento com prefeitos, vereadores e lideranças do interior, além de ter histórico de fidelidade ao grupo político liderado por Ronaldo Caiado. 

Também prevaleceu entre os articuladores o entendimento de que deixar Luiz do Carmo fora da chapa poderia provocar desgaste político e perda de apoios importantes às vésperas da campanha eleitoral. A avaliação foi de que sua presença amplia a capilaridade da candidatura de Daniel Vilela junto ao eleitorado religioso e fortalece a unidade da base governista. 

Quem disputou a vaga de vice?

Ao longo dos últimos meses, diversos nomes foram cogitados para ocupar a vaga de vice-governador.

Na reta final, a disputa concentrou-se em três pré-candidatos:

• Luiz do Carmo (PSD) – escolhido; representa o segmento evangélico, possui experiência parlamentar e forte presença política no interior;
• Adriano da Rocha Lima (PSD) – ex-secretário-geral de Governo, considerado homem de confiança de Ronaldo Caiado e identificado com a continuidade administrativa da atual gestão;
• José Mário Schreiner (PSD) – ex-deputado federal, ex-presidente da Faeg e principal representante do agronegócio dentro das discussões da chapa majoritária. 

Entretanto, durante boa parte das articulações, outros nomes também apareceram nas especulações promovidas por veículos especializados em política goiana, entre eles:

• Pedro Salles (PSD);
• Paulo do Vale (PSD);
• Fátima Gavioli (PSD);
• Bruno Peixoto (União Brasil);
• Vilmar Rocha (PSD);
• Gustavo Mendanha (à época ainda considerado antes de migrar de projeto político).

Apesar das especulações, os bastidores indicavam que a decisão caminhava, nas últimas semanas, para um confronto entre Adriano da Rocha Lima, Luiz do Carmo e José Mário Schreiner, até que a escolha foi consolidada na noite anterior à convenção partidária. 

Análise

Sob o ponto de vista político, a escolha de Luiz do Carmo busca ampliar a capacidade de mobilização da chapa governista em um segmento considerado estratégico para a eleição, ao mesmo tempo em que preserva o espaço do PSD na composição majoritária. A decisão também equilibra diferentes perfis dentro da aliança: Daniel Vilela representa a continuidade administrativa do governo, enquanto Luiz do Carmo acrescenta experiência política, relacionamento institucional e interlocução com lideranças religiosas e municipais. Essa combinação foi apontada por diversos analistas e veículos de imprensa como um dos fatores centrais para o desfecho das negociações. 

Fotos: Divulgação/Podemos