“Erros podem ter acontecido”, diz Eduardo Leite | Política

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (20) que não é um “negacionista” e que não se omitiu às mudanças climáticas, apesar de ter mudado quase 500 normas ambientais no primeiro ano de sua primeira gestão, em 2019. Ao participar do programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Leite disse que “erros potenciais” podem ter sido cometidos por seu governo, mas afirmou que não foi negligente, depois de ter sido questionado sobre as mudanças na legislação ambiental.

A reforma na legislação ambiental foi a primeira feita por Leite em seu governo, antes mesmo da reforma da Previdência e da administrativa. Ao assumir, em 2019, o governador do Rio Grande do Sul alterou em torno de 480 normas do Código Ambiental do Estado em seu primeiro ano de mandato, em medida sancionada em 2020. A ação acompanhou a flexibilização da política ambiental brasileira, comandada pelo então ministro Ricardo Salles, do Ministério de Meio Ambiente, no governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Leite evitou fazer um julgamento crítico das ações de seu governo. “Erros podem ter acontecido e somos seres humanos. Precisamos ver onde melhorar”, disse. “[Mas] Não erramos pela negligência, não erramos pela omissão nem pelo negacionismo”, disse Leite, por duas vezes já no primeiro bloco do programa “Roda Vida”. Na entrevista, o governador disse respeitar a ciência e acreditar nas mudanças climáticas. O Rio Grande do Sul enfrenta sua pior crise climática, com fortes chuvas que já mataram ao menos 157 pessoas e fizeram com que mais de 581 mil moradores do Estado tivessem que se deslocar de duas casas desde 29 de abril. Mais de 93% dos municípios do Estado foram atingidos.

“Não procurar culpados neste momento não significa não procurar as responsabilidades, olhar as ações humanas, identificar os erros. Não temos nenhuma pretensão de ser mito ou salvador da pátria”, disse.

Embaixador do Rio Grande do Sul

No primeiro bloco da entrevista, Leite evitou entrar em conflito direto com o governo federal, ao falar sobre a renegociação da dívida do Estado com a União e sobre a nomeação do ministro Paulo Pimenta (PT-RS) para a nova Secretaria Extraordinária de Reconstrução do Rio Grande do Sul.

Em relação à dívida do Estado com a União, Leite reforçou que quer a anistia total, apesar de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva propor a suspensão por três anos. O governador disse que Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm sido “sensíveis”, mas ponderou: “Esperava que pudesse avançar um pouco mais”.

Questionado sobre a nomeação de Pimenta, potencial candidato ao governo gaúcho em 2026, Leite evitou criticar e disse que o novo ministro deverá ser uma espécie de “embaixador” do Estado no governo federal pra discutir, entre outros temas, a dívida com a União.

“Alguns falam que pode ser interferência, mas prefiro olhar por outro ângulo”, afirmou Leite, citando em seguida que Pimenta será essa espécie de “porta-voz” dos interesses do Rio Grande do Sul junto à União. “Agora temos o Pimenta como um embaixador do Rio Grande do Sul lá, para nos defender”, disse. “Acredito que [ele] vai nos ajudar a resolver o problema da dívida.”

Fonte: valor.globo.com