A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada nesta terça-feira apontou que os membros do colegiado que votaram pela redução de 0,50 ponto percentual (p.p) na última reunião propuseram um debate sobre o custo de oportunidade de não seguir o “guidance via-à-vis a mudança de cenário no período”.
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Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 10,75% para 10,5% ao ano. Na reunião de março, a sinalização do comitê era de que o corte seria de 0,5 p.p se o cenário esperado fosse confirmado.
A ata apontou que, “como debates ocorridos em outras reuniões”, os membros que votaram pela redução de 0,5 p.p. discutiram se o cenário divergiu significativamente do que era esperado “a ponto de valer o custo reputacional de não seguir o guidance, o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do Comitê”.
Na avaliação desses membros, seria apropriado seguir o guidance de corte de 0,5 p.p nesta reunião e reafirmar o “firme compromisso com a meta” e com a requerida taxa de juros terminal para atingir o objetivo de convergência da inflação.
Ainda na visão desses membros, a extração da tendência subjacente da dinâmica inflacionária é difícil em um ambiente incerto, “mas não deveria, de forma alguma, ser confundida com leniência com relação aos indicadores divulgados no período, em particular as expectativas de inflação”.
Nessa análise, esses membros notaram que a taxa de juros terminal afetava mais as projeções de inflação e que uma redução de 0,5 p.p ainda manteria a política monetária “suficientemente contracionista”.
De acordo com a ata, os membros que defenderam o corte de 0,5 p.p compartilharam da percepção de aumento de incertezas no cenário doméstico e internacional e do “firme compromisso com o objetivo fundamental de atingimento da meta e de reancoragem das expectativas”.
A ata ainda apontou que esses membros do comitê enfatizaram a necessidade de flexibilização das decisões dos juros a partir de junho, “o que permitiria, à luz de novo conjunto de informação, calibrar a trajetória do instrumento de política monetária da forma apropriada”.
Os membros do Copom que votaram pelo corte de 0,5 p.p foram os diretores Ailton de Aquino Santos, Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
