Candidato à reeleição afirma que pretende ampliar ações de prevenção à violência, investir em tecnologia e transformar antigo prédio do Hugo em unidade especializada
A proteção das mulheres deve ganhar novos instrumentos caso Daniel Vilela (MDB) seja reeleito governador de Goiás. Em sabatina realizada nesta segunda-feira (14/9), o candidato apresentou propostas que combinam reforço no enfrentamento à violência doméstica, uso de tecnologia para facilitar pedidos de socorro e ampliação da estrutura de saúde voltada ao público feminino.
Entre as principais medidas anunciadas está a criação do Hospital da Mulher, que, segundo Daniel, deverá funcionar no prédio atualmente ocupado pelo Hospital de Urgências de Goiás (Hugo), no Setor Pedro Ludovico, após a transferência da unidade para suas novas instalações. A proposta prevê que o espaço seja reformado para receber atendimento especializado e uma maternidade de alto risco.
Na área de segurança, o candidato afirmou que a prioridade será ampliar a capacidade do Estado de identificar situações de risco antes que elas evoluam para casos de violência letal. Daniel citou a necessidade de criar mecanismos que permitam às mulheres ameaçadas entrar em contato com as forças de segurança de maneira mais rápida e discreta.
A preocupação apresentada pelo candidato ocorre em um cenário nacional de persistência da violência contra as mulheres. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, mostram que 62,5% dos feminicídios registrados no país em 2025 ocorreram dentro da residência. O levantamento também aponta que, nos casos em que a autoria foi identificada, a maioria dos crimes foi praticada por pessoas que mantinham ou haviam mantido vínculo afetivo ou familiar com a vítima.
Prevenção antes da violência chegar ao extremo
Durante a sabatina, Daniel afirmou que a responsabilização dos autores é necessária, mas defendeu que a atuação do poder público precisa ocorrer antes da consumação do crime.
“O Brasil todo enfrenta uma epidemia dos casos de feminicídio. Em Goiás, nós temos tratado esse crime com o maior rigor. Todos os criminosos que cometeram feminicídio em 2025 foram presos. Nenhum ficou impune. Mas nós queremos é impedir que esse crime aconteça. Nós queremos chegar antes e proteger essa mulher antes que seja tarde”, afirmou.
Segundo o candidato, um dos obstáculos para a atuação policial está justamente no ambiente onde grande parte desses crimes acontece. Daniel citou o percentual de 84% de feminicídios ocorridos dentro de casa como um dos fatores que dificultam a identificação antecipada das situações de risco.
O dado apresentado por Daniel, contudo, difere do percentual nacional mais recente divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Anuário de 2026 aponta que 62,5% dos feminicídios registrados no país em 2025 ocorreram dentro das residências.
A partir desse diagnóstico, o candidato defendeu uma estratégia que envolva tecnologia, integração institucional e participação da sociedade. A ideia apresentada é ampliar os canais de comunicação para que uma mulher ameaçada consiga acionar as forças de segurança sem necessariamente precisar realizar uma ligação convencional ou se expor ao agressor.
Daniel também mencionou a necessidade de fortalecer a articulação entre Executivo, Judiciário e Ministério Público, especialmente no acompanhamento de casos que já apresentam sinais de violência ou ameaça.
Tecnologia como ferramenta de proteção
O plano apresentado pelo candidato prevê o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para facilitar o acionamento das forças de segurança. Daniel afirmou que Goiás já conta com instrumentos como o aplicativo Mulher Segura e o telefone 190, mas avalia que a comunicação precisa ser ainda mais acessível para mulheres que estejam sob ameaça dentro de casa.
A proposta parte de uma dificuldade específica da violência doméstica: muitas situações acontecem longe da presença direta das forças policiais. Por isso, além da resposta às ocorrências, a estratégia defendida por Daniel busca ampliar a capacidade de prevenção e identificação de sinais de risco.
O candidato informou ainda que a professora e ex-procuradora do Estado Valentina Jungmann participa da elaboração de novas propostas para a área. De acordo com Daniel, o grupo avalia experiências adotadas em outros países e ferramentas tecnológicas que possam ser adaptadas à realidade goiana.
Novo Hospital da Mulher
Na área da saúde, uma das principais propostas apresentadas é a criação de um hospital estadual dedicado exclusivamente ao atendimento feminino.
A ideia é aproveitar o atual prédio do Hugo, no Setor Pedro Ludovico, depois que o atendimento de urgência e emergência for transferido para a nova estrutura. O imóvel passaria por uma reforma para receber o Hospital da Mulher, reunindo serviços especializados e atendimento de maternidade de alto risco.
“Vamos fazer lá o melhor hospital da mulher do Brasil”, declarou Daniel durante a sabatina.
A proposta também envolve a reorganização de serviços atualmente distribuídos em diferentes unidades. Segundo o candidato, a maternidade de alto risco, hoje vinculada ao Hospital e Maternidade Dona Iris ou a outras estruturas específicas, deverá ser integrada à nova unidade, conforme o planejamento apresentado durante a entrevista.
Segurança, saúde e políticas sociais
Daniel também relacionou a agenda de proteção às mulheres a outras áreas da administração pública. Na avaliação apresentada pelo candidato, as políticas para o público feminino precisam ir além do combate à violência e envolver saúde, assistência social, educação e oportunidades.
Durante a sabatina, ele destacou ainda a participação de mulheres no comando de áreas consideradas estratégicas do governo, citando setores como Economia, Educação, Cultura, Meio Ambiente, Políticas Sociais e Infraestrutura.
A proposta para um eventual novo mandato, portanto, é apresentada como uma ampliação da rede de proteção já existente, com integração entre diferentes áreas do poder público.
Rede de proteção
Daniel citou estruturas que já funcionam em Goiás, como o Batalhão Maria da Penha, delegacias especializadas e programas de atendimento e assistência às vítimas. A estratégia anunciada para o próximo mandato seria acrescentar novas ferramentas a essa estrutura, principalmente na prevenção.
O desafio apontado pelo candidato está em identificar a violência antes que ela alcance o estágio mais grave. Dados nacionais reforçam essa preocupação. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registra que, em 2025, para cada feminicídio foram contabilizados, em média, 502 registros de ameaça, 182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 descumprimentos de medidas protetivas, 79 casos de perseguição e 2,7 tentativas de feminicídio.
Nesse contexto, a campanha de Daniel Vilela apresenta a proteção às mulheres como uma agenda que reúne prevenção, resposta policial, atendimento em saúde e assistência social. As medidas, entretanto, fazem parte das propostas apresentadas pelo candidato para um eventual novo mandato e ainda dependem de implementação e detalhamento para que possam ser avaliadas quanto a custos, cronograma e alcance.
Além da pauta voltada às mulheres, Daniel tratou durante a sabatina de temas como gestão fiscal, infraestrutura e agronegócio, áreas que também integram o conjunto de propostas defendidas para a próxima gestão.

