Chuva no RS entra para maiores desastres naturais do Brasil no século 21; veja lista | Brasil

Os temporais vistos desde o final de abril no Rio Grande do Sul já podem ser considerados um dos maiores desastres naturais da história do Brasil no século 21. Quando levadas em conta apenas as mortes por chuvas intensas, esse é um dos piores desastres em mais de 30 anos no país.

Segundo o Atlas Digital de Desastres no Brasil, do Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), com dados de 1991 a 2022, o que acontece agora no Rio Grande do Sul só foi superado pelas tempestades de maio de 2022 em Pernambuco.

O Valor pediu ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e ao MDR que eles compartilhassem um levantamento com dados detalhados sobre os maiores desastres do país, mas ambos se declararam impossibilitados de cumprir o pedido. Ainda assim, o Cemaden indicou o Conselho Nacional dos Municípios (CNM) para realizar o levantamento, cujos dados foram checados novamente pelo Valor.

Vale destacar que a pesquisa considerou apenas desastres naturais. Dessa forma, casos como o rompimento das barragens em Brumadinho e em Mariana, vazamentos de óleo e outros casos com interferência humana não foram considerados.

1. Região serrana no Rio de Janeiro (2011)

De acordo com o Cemaden, o maior desastre ambiental da história do Brasil aconteceu no estado do Rio de Janeiro em 2011. Um deslizamento causado por fortes chuvas na região serrana do estado deixou 947 mortos e mais de 300 desaparecidos.

Os municípios mais afetados foram Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. Cerca de 35 mil pessoas perderam suas casas ou tiveram que deixá-las por risco de deslizamento.

Tragédia na Região Serrana do RJ — Foto: Divulgação

O desastre acontecido no Rio de Janeiro foi considerado como um momento chave no combate aos desastres ambientais no Brasil. A partir dele foi criado o Cemaden.

2. Vale do Itajaí (2008)

Em 22 de novembro de 2008, Santa Catarina sofreu a maior tragédia registrada no estado, provocada por chuvas frequentes que duraram cerca de três meses, e que atingiu mais de 2 milhões de catarinenses.

De acordo com a Defesa Civil do estado, o número oficial de óbitos é de 135 pessoas. Aproximadamente 78 mil pessoas ficaram desabrigadas, com 63 municípios catarinenses decretando Situação de Emergência e 14 decretaram Estado de Calamidade Pública.

Enchentes em Santa Catarina  — Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo
Enchentes em Santa Catarina — Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

A principal causa do desastre foi a “solifluxão” gerada pelas chuvas — quando parte do solo se desmancha. Cerca de 97% das mortes foram atribuídas a soterramento.

A cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro enfrentou o maior desastre ambiental de sua história em fevereiro e março de 2022. O desastre ambiental culminou em um total de 233 vítimas, 1,6 mil desabrigados, 467 desalojados e 330 mil afetados.

Tragédia em Petrópolis (RJ) em 2022  — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo
Tragédia em Petrópolis (RJ) em 2022 — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Tal qual o desastre ambiental de 2011 no Rio de Janeiro, que também afetou a cidade de Petrópolis, as fortes chuvas fizeram com que uma série de deslizamentos em diversas localidades da região central do município fossem impactadas.

Na data, a cidade de Petrópolis (RJ) registrou um acumulado de chuvas de 530 milímetros em 24 horas. Foram registrados 775 deslizamentos de terra, além de diversas ruas alagadas. As áreas mais atingidas foram Alto da Serra, Morro da Oficina, Sargento Boening, Chácara Flora e Vila Felipe.

De acordo com o Cemaden, 130 pessoas morreram nos estados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, em decorrência de deslizamentos e inundações repentinas desencadeadas pelas chuvas ocorridas no final de maio e início de junho de 2022.

Em 28 de maio, quase 17% de toda a área urbana do Recife foi atingida por enchentes. As fortes chuvas afetaram 130 mil pessoas, conforme dados da Defesa Civil de Pernambuco.

Tragédia em  — Foto: TV Brasil/Agência Brasil
Tragédia em — Foto: TV Brasil/Agência Brasil

A precipitação total na cidade do Recife nos dias 25 a 30 de maio foi de 551 mm, 140 mm acima da média do mês de maio. A chuva foi mais intensa nos dias 25 e 28 de maio, com 100–200 mm e 151–250 mm, respectivamente. Isso coincidiu com os distúrbios das ondas de leste.

Ao todo, 14 municípios decretaram situação de emergência: Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Goiana, Jaboatão dos Guararapes, Macaparana, Moreno, Nazaré, Olinda, Paudalho, Paulista, Recife, São José da Coroa Grande, São Vicente Ferrer e Timbauba.

5. Rio Grande do Sul (2024)

Diversas regiões do Rio Grande do Sul sofreram, desde o dia 27 de abril, com fortes alagamentos, deixando cidades inteiras debaixo d’água. As inundações são reflexo da quantidade elevada de chuva sob efeito do El Niño e são também uma das consequências dos efeitos das mudanças climáticas no mundo.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul aponta que há 1,9 milhão de pessoas impactadas pelas fortes chuvas dos últimos dias. Há, ainda, 113 mortos, 756 feridos e 146 desaparecidos, até a manhã do dia 10 de maio de 2024.

Chuvas no Rio Grande do Sul — Foto: Carlos Macedo/AP Photo/
Chuvas no Rio Grande do Sul — Foto: Carlos Macedo/AP Photo/

Em janeiro de 2020, Belo Horizonte teve o janeiro mais chuvoso de sua história, acumulando mais de 935 milímetros de precipitação, o triplo da média histórica. Desse total, 320,9 mm caíram em apenas três dias, de acordo com dados da Agência Fapesp.

Asfalto destruído em Belo Horizonte após chuvas  — Foto: Marcos de Moura e Souza/Valor
Asfalto destruído em Belo Horizonte após chuvas — Foto: Marcos de Moura e Souza/Valor

As chuvas no estado se estenderam de outubro de 2019 até março de 2020, contabilizando 74 mortes em 33 municípios durante o período, de acordo com dados da Defesa Civil do estado.

Em termos de óbitos, os municípios mais afetados foram Belo Horizonte (14), Ibirité ( 6) e Betim (6). A maior parte das mortes decorreram de deslizamentos, enxurradas e soterramentos. Cerca de 274 municípios declararam estado de emergência à época.

*Estagiário sob a supervisão de Diogo Max

Fonte: valor.globo.com