Chambriard diz que demanda de Lula é para gerir a Petrobras com respeito à sociedade | Empresas

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a demanda recebida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando foi convidada a presidir a estatal, foi de “gerir a empresa com respeito à sociedade”. Questionada sobre eventual pedido de aceleração de investimentos, especialmente em projetos que deram prejuízo à empresa, como o refino, ela replicou fala de Lula segundo a qual ele tem “grande carinho pela Petrobras”, que a sociedade “ama a Petrobras” e que ela gerisse a empresa com respeito à sociedade brasileira.

“A encomenda é essa: respeito à sociedade”, disse Chambriard, nesta segunda-feira (27), na primeira entrevista coletiva após assumir a empresa. Ela reiterou que o foco dela é zelar para que a produtividade dos ativos “persista em crescimento” e destacou ser essencial continuar explorando petróleo em novas fronteiras, especialmente na Margem Equatorial.

Chambriard frisou que o litoral do Amapá, onde se localiza a área sobre a qual a Petrobras espera por licença ambiental para perfuração de um poço, “está inserido neste contexto”. A executiva disse também que a obrigação dela na companhia é reforçar as cadeias nacionais da indústria.

Ministério do Meio Ambiente e Ibama

Chambriard avaliou, ainda, que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) precisa ser mais esclarecido sobre a necessidade do país e da empresa de perfurar poços na Margem Equatorial. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado à pasta, negou a licença ambiental para perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas e a empresa entrou com recurso, ainda sem decisão.

A perfuração do poço é importante, inclusive, para liderar a transição energética, disse Chambriard. “Precisamos conversar com o MMA e mostrar que a empresa oferta mais cuidados do que a lei demanda”, afirmou a executiva.

Ela disse ainda que temas como a exploração da Margem Equatorial têm que ser discutidos no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), fórum que a executiva considera como o mais adequado, com arbitragem final pelo presidente da República.

A internacionalização da companhia, com busca de áreas em outros países para exploração e produção de petróleo, é uma possibilidade que está na mesa da companhia, mas a executiva frisou que a “prioridade é do território brasileiro”.

Chambriard ressaltou também que a obrigação dela é fornecer segurança jurídica e transparência para os fornecedores nacionais, recordando que ela sempre priorizou o conteúdo local quando era diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Fonte: valor.globo.com