Bancos de desenvolvimento devem assegurar a governos que transição é possível e financiável, diz FiCS | Brasil

O presidente da rede global de bancos de desenvolvimento Finance in Common (FiCS), Rémy Rioux, disse que as instituições precisam mostrar aos governos dos países que uma transição para um futuro sustentável é possível e financiável. Para o francês, que também é diretor-executivo da Agência Francesa de Desenvolvimento, os órgãos de fomento têm um papel vital no combate às mudanças climáticas.

“Nós temos que achar soluções e assegurar aos governos que uma transição é possível e é financiável. Esse é o nosso dever [como instituições de fomento]”, disse Rioux na abertura do encontro de bancos de desenvolvimento de países do G20.

O evento “Construindo soluções financeiras sustentáveis: bancos públicos de desenvolvimento e o G20″ aconteceu nesta manhã no teatro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro do Rio de Janeiro.

Na fala inicial, Rioux pregou a necessidade de se criar um arcabouço regulatório mais firme para o enfrentamento das mudanças climáticas para tornar o trabalho dos bancos de desenvolvimento mais eficiente. Na avaliação do executivo francês, diante da urgência de eventos extremos – como o visto no Rio Grande do Sul, onde fortes chuvas já causaram 157 mortes –, as questões ambientais devem ter prioridade nas discussões financeiras.

“Temos que articular prioridades internacionais com as capacidades locais de transformação. E temos que ter uma base de capital forte e um arcabouço regulatório melhor para lidar com as questões climáticas”, afirmou.

Rioux fez menção a 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris, tratado internacional sobre mitigação, adaptação e financiamento para combater as mudanças climáticas. Segundo o executivo francês, naquele ano tiveram diversas outras cúpulas internacionais, mas houve uma ordem invertida nas prioridades. Era, diz o presidente da FiCS, necessário falar de clima e meio ambiente antes do que questões financeiras.

“Provavelmente esse é um dos motivos pelos quais estamos aqui, tentando elaborar essa arquitetura financeira global que deve ser coerente com o que estamos enfrentando”, disse Rioux.

“A questão climática é uma urgência, devíamos ter falado primeiro dela e depois pensado qual é o sistema financeiro que precisamos, qual é o tamanho desse sistema e qual é o componente de solidariedade que deveria estar embutido. De certa forma, esse é o elemento que está faltando há 10 anos”, afirmou Rioux.

A fala do francês vai na direção das afirmações da coordenadora da Trilha de Finanças do G20 e secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, embaixadora Tatiana Rosito. Para a diplomata brasileira, as discussões financeiras devem avançar sobre as questões climáticas e preencher lacunas existentes da área.

“Temos que progredir com melhor abordagem de compartilhamento de riscos e conectar as instituições locais, subnacionais e mundiais e juntar recursos públicos e privados para atingir escala que precisamos”, afirmou Rosito, que completou:

“Já faz tempo que temos lacuna entre ambições e movimentação real de recursos. As ambições existem há muito tempo”.

Rosito vê o Grupo dos 20, que reúne as maiores economias do mundo, para ampliar o debate em direção a um futuro mais sustentável. “Força-tarefa sobre clima [do G20] realmente traz nova maneira de olhar para alguns dos obstáculos e desafios que temos à frente”, disse.

Presidente da rede global de bancos de desenvolvimento Finance in Common (FiCS), Rémy Rioux — Foto: Valor

Fonte: valor.globo.com