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Bancários de Goiás podem entrar em greve a partir de 8 de setembro; Caixa é o principal foco da mobilização

Bancários de Goiás podem entrar em greve a partir de 8 de setembro; Caixa é o principal foco da mobilização
Foto: Divulgação

Categoria realiza assembleias para decidir sobre propostas da campanha salarial. Em Goiás, empregados da Caixa Econômica Federal avaliam rejeitar acordo, principalmente por divergências envolvendo o Saúde Caixa

Os clientes de instituições bancárias em Goiás podem enfrentar mudanças no atendimento a partir da próxima terça-feira, 8 de setembro. A possibilidade de uma greve dos bancários ganhou força após a abertura das assembleias que analisam as propostas apresentadas durante a Campanha Salarial 2026.

Em Goiás, a mobilização envolve trabalhadores da rede privada, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. No entanto, o cenário mais delicado está concentrado entre os empregados da Caixa, onde há uma expectativa de rejeição da proposta negociada e, consequentemente, de aprovação de um indicativo de greve por tempo indeterminado.

As votações começaram na noite desta quinta-feira (3) e seguem até esta sexta-feira (4). Caso a proposta seja rejeitada pelos trabalhadores, a paralisação poderá começar após o feriado da Independência, no dia 8 de setembro.

A informação consta inclusive no edital de convocação divulgado pelo Sindicato dos Bancários de Goiás, que prevê expressamente a aprovação do indicativo de greve caso os instrumentos coletivos submetidos à votação não sejam aceitos pela categoria. (Sindicato dos Bancários de Goiás)

Caixa concentra maior risco de paralisação

Embora toda a categoria bancária esteja discutindo reajustes e condições de trabalho, a situação dos empregados da Caixa Econômica Federal é considerada a mais sensível neste momento.

O principal ponto de divergência envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados da instituição. As condições de custeio e manutenção do benefício estão entre os temas que dificultam um acordo entre trabalhadores e bancos.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Goiás, Sergio Luiz da Costa, afirmou que existe uma possibilidade concreta de rejeição da proposta apresentada à categoria. Segundo ele, caso isso ocorra, a tendência é de mobilização a partir do dia 8.

“A perspectiva é que a proposta na Caixa seja rejeitada”, afirmou o dirigente sindical em entrevista publicada nesta semana. A projeção, segundo ele, é de que o movimento possa ultrapassar as fronteiras de Goiás e se transforme em uma paralisação nacional dos empregados da Caixa.

O sindicato goiano representa cerca de 8,4 mil trabalhadores em sua base territorial. Somadas às outras bases sindicais existentes no Estado, como Anápolis, Catalão, Jataí, Rio Verde e Itumbiara, o número de profissionais ligados à categoria chega próximo de 10 mil em Goiás.

Assembleia decide futuro da categoria

A Assembleia Geral Extraordinária dos empregados da Caixa foi convocada para discutir a aprovação ou rejeição das propostas de renovação dos acordos coletivos que deverão vigorar entre 2026 e 2028.

Os trabalhadores votam de forma virtual. Entre os itens submetidos à categoria estão tanto a Convenção Coletiva de Trabalho quanto o Acordo Coletivo específico da Caixa.

O edital estabelece que, em caso de rejeição global das propostas, estará aprovado o indicativo de greve, obedecendo aos prazos legais de comunicação aos usuários e empregadores previstos na legislação brasileira.

Na prática, isso significa que a decisão tomada pelos bancários nesta sexta-feira poderá definir se as agências da Caixa em Goiás continuarão funcionando normalmente ou se enfrentarão uma paralisação a partir da próxima semana.

Salários, benefícios e reajuste estão na mesa

A campanha salarial dos bancários não envolve apenas o reajuste dos salários. Benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e outras cláusulas trabalhistas também fazem parte das negociações.

Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários de Goiás, uma das propostas discutidas prevê reajuste correspondente a 100% do INPC, acrescido de 0,6% de ganho real. Considerando as projeções de inflação utilizadas durante as negociações, o percentual total poderia ficar próximo de 4,8%.

A categoria, entretanto, enfrenta discussões específicas em cada instituição financeira. No Banco do Brasil, a negociação está concentrada principalmente na recomposição salarial e na preservação das cláusulas já existentes nos acordos coletivos. Até o momento, o sindicato não aponta para o mesmo cenário de paralisação observado entre os empregados da Caixa.

Já na rede privada, que inclui bancos como Bradesco, Itaú, Santander, Safra e outras instituições, os trabalhadores também participam das assembleias para decidir sobre a proposta apresentada durante a campanha salarial. O Sindicato dos Bancários de Goiás convocou votação híbrida, com participação virtual e presencial nos locais de trabalho.

Mobilização já teve paralisação em agosto

A tensão entre trabalhadores e instituições financeiras não começou agora. Em 20 de agosto, bancários realizaram uma mobilização durante a campanha salarial em protesto contra propostas que, segundo o movimento sindical, não atendiam às reivindicações da categoria.

Entre os pontos criticados estava a possibilidade de utilização de índices diferentes da inflação oficial para o reajuste de determinados benefícios.

Após novas rodadas de negociação, as partes chegaram à atual fase, em que as propostas construídas nas mesas nacionais são submetidas diretamente à decisão dos trabalhadores.

O Sindicato dos Bancários de Goiás informa que as negociações ocorreram ao longo de várias rodadas e envolveram representantes da categoria, das instituições financeiras e entidades nacionais do setor.

Greve pode ter impacto no atendimento ao público

Se confirmada, uma paralisação poderá afetar principalmente o atendimento presencial nas agências da Caixa Econômica Federal em Goiás.

A dimensão dos impactos, porém, dependerá da adesão dos trabalhadores ao movimento. Mesmo durante as greves bancárias, alguns serviços digitais costumam continuar disponíveis, como transferências, pagamentos via aplicativos, Pix e operações realizadas pelos canais eletrônicos.

Já serviços que dependem diretamente do atendimento presencial podem sofrer restrições, especialmente operações relacionadas a crédito, programas sociais, habitação, saque de benefícios e atendimento especializado.

A Caixa possui papel relevante na operacionalização de políticas públicas federais, incluindo programas habitacionais e sociais, o que faz com que uma eventual paralisação tenha potencial para atingir um grande número de usuários.

Possibilidade de greve nacional

A situação em Goiás acompanha uma mobilização mais ampla da categoria no país. Sindicatos de diferentes Estados também convocaram assembleias para analisar propostas da campanha salarial e discutir a possibilidade de paralisação a partir de 8 de setembro.

Em diversos editais divulgados por entidades sindicais, a deflagração de greve por tempo indeterminado aparece como alternativa caso os trabalhadores rejeitem os acordos apresentados pelos bancos.

No caso goiano, a definição deve ocorrer após o encerramento da votação nesta sexta-feira (4).

Até lá, a recomendação é que clientes que dependam de atendimento presencial acompanhem o resultado das assembleias e, se possível, antecipem serviços que necessitem ser realizados diretamente nas agências.

O que pode acontecer a partir de agora

O cenário ainda não representa uma greve confirmada. A paralisação depende do resultado das votações realizadas pelos trabalhadores.

Caso as propostas sejam aprovadas, os acordos coletivos serão renovados e o atendimento seguirá normalmente.

Se houver rejeição, especialmente entre os empregados da Caixa, o indicativo de greve poderá ser formalizado e o movimento pode começar a partir da próxima terça-feira, dia 8 de setembro.

Neste momento, a Caixa Econômica Federal é considerada o principal ponto de atenção dentro da mobilização dos bancários em Goiás. A expectativa do movimento sindical é de que a decisão tomada nas assembleias locais acompanhe um debate nacional, que poderá definir os rumos da categoria nos próximos dias.