Argentina pede prisão de ministro do Irã por atentado em 1994

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina informou
que o governo de Javier Milei pediu a prisão internacional dos responsáveis
​​pelo atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia),
ocorrido em Buenos Aires em 1994, e destacou a reivindicação de que seja preso
o ministro do Interior iraniano, Ahmad Vahidi.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (23), a
chancelaria argentina informou que Vahidi, procurado pela Justiça argentina,
integra uma delegação governamental do Irã que está em viagem esta semana pelo
Paquistão e pelo Sri Lanka.

“Neste contexto, a pedido das autoridades argentinas, o
Gabinete Central da Interpol com sede em Lyon emitiu uma Circular Vermelha para
a sua detenção”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

“Por ocasião da sua viagem, a Argentina solicitou aos
governos do Paquistão e do Sri Lanka que o prendessem de acordo com os
mecanismos fornecidos pela Interpol”, acrescentou a pasta.

“Paralelamente ao trabalho que vem sendo realizado pelo
Ministério da Segurança e pela chancelaria argentina com a intervenção das
embaixadas do nosso país no Paquistão e na Índia, o Escritório Central Nacional
de Buenos Aires da Interpol da Polícia Federal Argentina solicitou ao seu
homólogo em Islamabad [capital paquistanesa] que proceda à detenção preventiva
do acusado para efeitos de extradição para a Argentina”, informou o comunicado.

Neste mês, a Sala II do Tribunal Federal de Cassação Criminal da Argentina atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos dois maiores ataques terroristas da história do país sul-americano: o atentado em Buenos Aires que matou 85 pessoas em 1994 na sede da Amia e o ataque à Embaixada de Israel dois anos antes, que havia deixado 29 mortos.

Os magistrados concluíram que os atentados foram praticados
pelo grupo terrorista libanês Hezbollah “sob a inspiração, organização,
planejamento e financiamento de organizações estatais e paraestatais
subordinadas” ao Irã.

A decisão abre caminho para que Estados e parentes das
vítimas processem Teerã em cortes internacionais.

Em resposta ao pedido da Argentina para a prisão de Vahidi, o Ministério das Relações Exteriores do Irã “condenou veementemente a reiteração de pedidos ilegais baseados em mentiras (…) por parte de alguns juízes argentinos em relação a cidadãos iranianos pelo caso Amia”.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br