Com melhora de condições econômicas, as famílias podem estar se voltando, agora, para o consumo após um processo inicial de redução de endividamento. A análise foi feita pelo gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Cristiano Santos, responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). Em janeiro, o volume de vendas no varejo avançou 2,5%, após recuo de 1,4% em dezembro.
Ao comentar o resultado, Santos reconheceu a melhora das condições macroeconômicas do país, com aumento de pessoal ocupado, crescimento da massa de rendimentos e redução gradativa dos juros, chamados de “indicadores positivos”. Inicialmente, disse ele, havia questionamentos sobre a razão de isso não ter chegado ao comércio. Sua avaliação é que houve um processo inicial de redução de endividamento, observado no segundo semestre, e que isso pode estar mudando neste início de ano.
“Um reflexo hipotético de um aumento no número de pessoas ocupadas, de aumento da massa de rendimentos e de uma expansão do crédito é que tende a fazer com que haja excedente orçamentário, que pode ir para o comércio, para compras efetivas. Mas não necessariamente isso acontece. No segundo semestre, parte desse orçamento foi para reduzir inadimplência, reduzir dívidas. Dezembro e janeiro foram meses em que, aparentemente, não houve essa preferência em reduzir dívidas em vez de ir para o consumo”, afirmou.
O movimento, segundo Santos, pode ser observado principalmente no setor de supermercados, com crescimento sustentado. Foram três meses seguidos de taxas positivas no indicador. O segmento cresceu 0,9% em janeiro, após altas de 0,2% em novembro e 0,7% em dezembro.
