Comissão aprova projeto de Vanderlan Cardoso sobre celebração do Divino Pai Eterno; proposta seguirá à Câmara se não houver recurso para votação no Plenário
A Romaria do Divino Pai Eterno, realizada em Trindade, deu mais um passo para ser reconhecida em lei como manifestação da cultura nacional. A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou, nesta terça-feira (3), o Projeto de Lei nº 2.423/2026, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), com parecer favorável de Flávio Arns (PSB-PR). Como a decisão foi terminativa, o texto poderá seguir diretamente à Câmara dos Deputados, desde que não seja apresentado recurso para análise pelo Plenário do Senado. O reconhecimento, portanto, ainda depende da conclusão da tramitação legislativa.
Ao defender a proposta, Vanderlan destacou a ligação entre a celebração religiosa, a formação de Trindade e a preservação de tradições transmitidas entre gerações. Segundo a história da devoção, por volta de 1840, os agricultores Constantino Xavier e Ana Rosa encontraram um medalhão de barro com a representação da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora, na região então conhecida como Barro Preto. As primeiras orações em torno da imagem deram origem à peregrinação que se mantém até hoje. “Dali nasceram as primeiras orações em família. Depois nasceu uma cidade”, afirmou o senador.
A dimensão da celebração também foi apresentada como argumento para o reconhecimento nacional. Conforme os dados citados durante a análise do projeto, a edição de 2025 recebeu mais de 4,3 milhões de peregrinos ao longo de dez dias. No parecer favorável, Flávio Arns ressaltou que a romaria completou 186 anos em 2026 e a descreveu como a maior peregrinação do Centro-Oeste e a segunda maior do Brasil. O relator também destacou a movimentação gerada nos setores de hospedagem, alimentação, logística e comércio.
Vanderlan atribuiu a realização das festividades ao trabalho conjunto de religiosos, voluntários e poder público. O parlamentar mencionou o reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins da Silva, os missionários redentoristas, a Prefeitura de Trindade e o Governo de Goiás. Segundo ele, a ideia de apresentar o projeto surgiu em uma conversa com o reitor em 11 de maio, durante visita ao município para entrega de recursos destinados à saúde e à assistência social.
A proposta se soma a reconhecimentos já concedidos a expressões culturais ligadas à devoção. A Romaria de Carros de Bois da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade está inscrita no Livro de Registro das Celebrações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 15 de setembro de 2016. Esse registro valoriza especificamente a tradição dos carreiros, associada aos deslocamentos de famílias rurais e à transmissão de costumes entre gerações.
O projeto aprovado na comissão busca reconhecer a Romaria do Divino Pai Eterno em seu conjunto como manifestação da cultura nacional. Segundo a justificativa apresentada, a medida não cria despesas nem obrigações administrativas, tendo como finalidade registrar em lei a relevância cultural da celebração. Com a aprovação no Senado, a próxima etapa será a análise pelos deputados federais, caso não haja recurso para votação no Plenário.

