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Quem ganhou e quem perdeu espaço na Alego: eleição deixa 13 deputados sem novo mandato estadual

Quem ganhou e quem perdeu espaço na Alego: eleição deixa 13 deputados sem novo mandato estadual

Renovação atinge quase metade da Assembleia Legislativa; nomes tradicionais ficam de fora, enquanto novos grupos políticos conquistam espaço na Casa

O resultado das eleições de 2026 redesenhou o mapa de forças da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Com 100% das urnas apuradas, 19 das 41 cadeiras serão ocupadas por nomes que não integram atualmente a composição da Casa, enquanto 22 deputados conseguiram permanecer no Legislativo estadual. A renovação chega a 46,34% das cadeiras e atingiu inclusive parlamentares conhecidos da política goiana. Entre os que buscaram permanecer na Assembleia e não conseguiram estão ex-vice-governador, deputados veteranos e parlamentares que chegaram a ampliar significativamente suas votações em relação a 2022.

13 deputados ficam fora da próxima Alego

Considerando os parlamentares com mandato e também deputados licenciados que disputaram novamente uma cadeira estadual, 13 não conseguiram se eleger para a próxima legislatura.

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São eles: Clécio Alves (PSDB), Coronel Adailton (Solidariedade), Cristiano Galindo (Solidariedade), Cristóvão Tormin (PRD), Gugu Nader (PSDB), Julio Pina (Solidariedade), Karlos Cabral (PSB), Lincoln Tejota (União Brasil), Major Araújo (PL), Mauro Rubem (PT), Rosângela Rezende (Agir), Veter Martins (PSB) e Vivian Naves (Republicanos).

O grupo reúne diferentes trajetórias políticas e mostra uma das características do sistema proporcional: uma votação individual expressiva não necessariamente é suficiente para garantir uma cadeira. O desempenho da legenda ou federação também interfere diretamente na distribuição das vagas.

Lincoln e Mauro têm votação expressiva, mas ficam de fora. Um dos resultados que mais chamam atenção é o do ex-vice-governador Lincoln Tejota (União Brasil). Ele recebeu 39.105 votos, a maior votação entre os atuais deputados que não conseguiram retornar à Assembleia.

Mesmo com uma votação superior à de diversos candidatos eleitos, Lincoln não conquistou uma das cadeiras destinadas à sua chapa. Situação semelhante ocorreu com Mauro Rubem (PT). O parlamentar recebeu 38.206 votos, contra 22.304 em 2022. Ou seja, conquistou quase 16 mil votos a mais e registrou crescimento superior a 70%, mas terminou fora da próxima composição. O resultado evidencia o peso do sistema proporcional na eleição para deputado estadual: não basta analisar isoladamente o número de votos recebido pelo candidato.

Sete aumentaram a votação e mesmo assim perderam a cadeira. Outro dado chama atenção: sete dos deputados derrotados receberam mais votos em 2026 do que haviam obtido quatro anos antes. Cristiano Galindo teve uma das maiores evoluções. Ele saiu de 17.788 votos em 2022 para 32.709 em 2026, crescimento de aproximadamente 84%.

Cristóvão Tormin também teve avanço expressivo, passando de 17.484 para 31.454 votos. Mauro Rubem saltou de 22.304 para 38.206 votos. Também ampliaram suas votações Julio Pina, Gugu Nader, Karlos Cabral e Rosângela Rezende. Apesar do crescimento eleitoral, nenhum deles conseguiu uma cadeira na próxima legislatura.

Outros seis perderam votos

Na outra ponta, seis deputados derrotados registraram votação inferior à conquistada na eleição de 2022. A maior queda proporcional ocorreu com Clécio Alves, que passou de 28.322 votos em 2022 para 14.087 votos em 2026, redução de pouco mais de 50%. Vivian Naves sofreu a maior perda em números absolutos entre os derrotados. A parlamentar caiu de 38.574 para 22.225 votos, uma diferença superior a 16 mil votos. Veter Martins também teve redução significativa, passando de 30.836 para 18.449 votos. Major Araújo, Coronel Adailton e Lincoln Tejota completam o grupo que registrou votação inferior à eleição anterior.

Deputados deixaram a disputa estadual para tentar a Câmara Federal A renovação da Alego, entretanto, não ocorreu apenas por derrotas nas urnas. Parte da atual composição decidiu deixar a disputa por uma cadeira estadual para tentar chegar à Câmara dos Deputados. Entre os nomes estão Bruno Peixoto (União Brasil), Lucas Calil (PRD), Lucas do Vale (PSD), Ricardo Quirino (Republicanos) e Dra. Zeli (PSD). Do grupo, Bruno Peixoto, Lucas Calil e Lucas do Vale conseguiram se eleger deputados federais, deixando a Assembleia para assumir mandato em Brasília a partir de fevereiro de 2027. Bruno Peixoto, atual presidente da Alego, teve desempenho especialmente expressivo: foi o deputado federal mais votado de Goiás, com 207.899 votos.

Morte de Amilton Filho altera disputa. A eleição estadual também foi marcada pela morte do deputado Amilton Filho (MDB), vítima de um acidente de trânsito durante a reta final da campanha. Sua esposa, Carol do Amiltinho (MDB), assumiu a candidatura e terminou a eleição como a candidata a deputada estadual mais votada de Goiás, com 109.002 votos. O episódio criou uma situação singular na análise da renovação. Formalmente, Carol integra o grupo dos novos nomes da próxima legislatura, mas sucede politicamente o espaço ocupado pelo marido na Assembleia.

Quem ganhou espaço

Enquanto nomes tradicionais ficaram pelo caminho, a eleição abriu espaço para uma nova configuração política dentro da Alego. Entre os 19 nomes que não integram atualmente a Assembleia e foram eleitos estão:

Carol do Amiltinho (MDB), Fabrício Rosa (PT), Paulo do Vale (PSD), GCM Romário Policarpo (Cidadania), Lissauer Vieira (PL), Kátia (PT), Dr. Amarildo (Novo), Coronel Urzeda (PL), Joscilene do Mangão (Agir), Graciele da Arte Trigo (Agir), Paulin Vai Nele (PRD), Coronel Edson Raiado (PSD), Marquinho (PL), Cardoso (Republicanos), Keke da Vulkanic (Mobiliza), Bessa (Mobiliza), Lucas Kitão (Mobiliza), Willian Panda (Podemos) e Neto Karfan (Novo).

Nem todos, porém, podem ser considerados estreantes na política ou mesmo na Assembleia. Lissauer Vieira, por exemplo, já foi deputado estadual e presidente da Alego e agora retorna ao Legislativo.

Mobiliza é uma das surpresas

Entre os movimentos partidários que chamam atenção está o desempenho do Mobiliza, que conseguiu eleger três deputados estaduais: Keke da Vulkanic, Bessa e Lucas Kitão. O resultado dá à legenda uma bancada própria na Assembleia e altera a distribuição de forças entre partidos que tradicionalmente dominam o Legislativo goiano. MDB, PL, União Brasil, PT e PRD estarão entre as maiores forças da próxima legislatura.

Quase metade da Alego muda

O saldo das urnas confirma uma mudança significativa no Legislativo estadual. Dos 41 deputados da próxima legislatura, 22 foram reeleitos e 19 não ocupam atualmente cadeira na Assembleia. Isso significa uma renovação de 46,34%. O índice fica próximo do comportamento histórico da Casa. Levantamento publicado antes das eleições apontava que a Alego havia renovado, em média, 50,4% de sua composição nas eleições de 2014, 2018 e 2022.

Mais do que uma simples troca de nomes, o resultado de 2026 reorganiza bancadas e cria uma nova correlação de forças dentro da Assembleia. A partir de fevereiro de 2027, a chegada dos novos deputados e a saída de nomes tradicionais deverá provocar uma nova disputa por lideranças partidárias, presidências de comissões, blocos parlamentares e espaços na Mesa Diretora, abrindo um novo capítulo na política interna da Alego.