Henrique Alves, Ronilson Reis e Thialu Guiotti já articulam apoios para comandar o Legislativo municipal a partir de 2027; preferência de Mabel por um dos nomes adiciona novo ingrediente à disputa
A proximidade das eleições de outubro começa a produzir efeitos também nos bastidores da Câmara Municipal de Goiânia. Enquanto os vereadores se concentram no calendário eleitoral, uma disputa paralela ganha espaço nas conversas internas do Legislativo: a sucessão de Romário Policarpo (Cidadania) na presidência da Casa.

Até o momento, três vereadores aparecem como principais nomes no cenário: Henrique Alves (MDB), Ronilson Reis (Solidariedade) e Thialu Guiotti (Avante). A eleição para a presidência deve ocorrer após o encerramento do calendário eleitoral, mas as articulações já estão em andamento e tendem a ganhar intensidade nas próximas semanas.
O movimento ainda está longe de uma definição. Mais do que a exposição pública dos candidatos, a disputa deverá ser decidida pela capacidade de cada um de construir uma maioria entre os próprios vereadores.
Thialu conta com a preferência de Mabel
Entre os postulantes, Thialu Guiotti desponta até agora com um trunfo político relevante: a preferência do prefeito Sandro Mabel.
Presidente do Avante em Goiânia, Thialu também integra o mesmo partido da vice-prefeita Coronel Cláudia. A proximidade com o grupo que comanda o Executivo municipal passou a ocupar espaço importante em sua estratégia para chegar à presidência da Câmara.
O eventual apoio de Mabel pode ajudar Thialu a ampliar sua interlocução com os vereadores e fortalecer a construção de uma maioria. No entanto, a influência do prefeito, por si só, não garante o resultado. A eleição é interna e dependerá da adesão dos parlamentares no momento da votação.
Ronilson aposta na força do segmento religioso
Ronilson Reis, por sua vez, vem estruturando sua candidatura a partir de uma articulação com o segmento religioso. A estratégia é transformar essa rede de apoio em força política dentro da Câmara.
O vereador trabalha para ampliar o diálogo com diferentes parlamentares e consolidar uma base que dê sustentação à sua candidatura quando a eleição interna se aproximar.
A movimentação coloca a disputa também no campo da construção de alianças. O desafio de Ronilson será converter a capacidade de mobilização externa em votos efetivos entre os 37 vereadores que participarão da escolha.
Henrique mantém distância e observa os movimentos
Henrique Alves adotou, até aqui, uma postura mais reservada. Secretário-geral da Câmara, o emedebista mantém trânsito com diferentes grupos envolvidos na sucessão e evita antecipar uma campanha mais aberta.
A estratégia permite que Henrique acompanhe a evolução das articulações de Thialu e Ronilson enquanto preserva canais de diálogo com os dois lados.
Com o cenário ainda em formação, a posição mais discreta pode se transformar em vantagem. Ao não se colocar de maneira definitiva em um dos polos da disputa, Henrique mantém espaço para negociar apoios e avaliar o equilíbrio de forças antes de intensificar sua própria candidatura.
Policarpo ainda não escolheu sucessor
Atual presidente da Câmara, Romário Policarpo ainda não declarou apoio a nenhum dos três nomes. O vereador tem, neste momento, uma prioridade mais imediata: a eleição de 4 de outubro, quando disputará uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás.
Policarpo permanece no comando do Legislativo municipal até o fim de dezembro. Até lá, a sucessão continuará sendo construída nos bastidores, em um processo que deve envolver conversas individuais, formação de blocos e busca por alianças.
A ausência de uma posição pública de Policarpo mantém o jogo aberto. Seu eventual apoio poderá ter peso nas negociações, mas não será necessariamente determinante, já que a escolha do próximo presidente dependerá da correlação de forças entre os vereadores.
Disputa deve ganhar força após as eleições
Com o calendário eleitoral no centro das atenções, os três nomes trabalham sem transformar, por enquanto, a sucessão em uma disputa aberta. A tendência é de que o cenário fique mais claro após 4 de outubro, quando os vereadores poderão concentrar esforços na eleição interna.
Até lá, cada grupo terá de provar capacidade de articulação. Thialu parte com a preferência de Mabel, Ronilson busca ampliar sua base por meio do segmento religioso e Henrique aposta em uma atuação mais reservada, mantendo diálogo com diferentes setores.
O resultado, porém, será definido dentro do plenário. Na sucessão de Policarpo, apoio político, influência externa e articulação nos bastidores serão importantes, mas a conta final será feita com votos. E, até que eles estejam efetivamente contabilizados, a presidência da Câmara de Goiânia continua em aberto.

